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Setembro Amarelo com poesia



Estamos no Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, um tema infelizmente muito próximo de mulheres e expressões de gênero diversas. Nos próximos dias desse mês, vamos colorir nossa página do Facebook (facebook.com/nosaspoetas) com poemas que ressignificam as dores e trazem mensagens de esperança. Mas antes da poesia, temos uma carta da psicóloga e poeta Clara Lobo:


A sociedade em que vivemos foi historicamente marcada pelo patriarcado, misoginia, racismo, violência contra pessoas não binárias, LGBTQI+, pessoas trans e machismo. Antes as roupagens que estas forças dominantes operavam era outras, os séculos se passaram e, atualmente os campos de força e dominação se atualizam por outras formas. Algo mudou? Não há garantia de uma mudança estrutural. Ainda assim, foi preciso reconhecer os efeitos devastadores que o sistema patriarcal causava nos corpos, sobretudo nos corpos “não enquadrados” na norma. Precisou que uma pessoa falasse, que uma falasse a outra, que formassem um coletivo engajado em uma reforma, que começou sendo subjetiva para em seguida alçar o social. Políticas públicas ao longo dos séculos foram criadas para pessoas excluídas e pela luta delas mesmas, a partir de um lugar de revelia ao sistema, assim como, do lugar de potência que viam umas nas outras. Foi primordial que uma pessoa desatasse o tabu do medo em falar para que outras pudessem se pôr a falar. Pessoas em situação de violência e exclusão social precisaram se unir e lutar para que hoje, nós sujeitos do contemporâneo, pudéssemos ocupar lugares que legitimam o direito a nossa voz. Ainda assim, vemos ondas do sistema patriarcal, racista, transfóbico, lgbtfóbico, misógino e machista se atualizarem, só que atualmente as roupagens são outras, porém elas continuam a produzir sofrimento psíquico e mal-estar. O Setembro Amarelo nos lembra que o silêncio é bem conhecido na história das opressões e que é uma forma de violência, não tão silenciosa. Em uma sociedade como a nossa que ainda legitima práticas de poder e segregação, se faz crucial nos reunirmos, falarmos, com as nossas, com familiares, assim como, com profissionais quando o sofrimento é produzido ou manifesto, conquistamos esse direito, falar, elaborar são processos de transformação e não são mais dignos de serem tabu. A conquista por esse lugar, a mudança de posição subjetiva e social se deu porque em algum momento uma pessoa em sofrimento, em meio a uma multidão, rompeu com o silêncio, transmitindo a potência e fazendo com que polifonias ecoassem pelo mundo. Essa carta nos lembra que não estamos e não precisamos estar sozinhes quando o sistema nos violenta ou quando o coração aperta. Desde os primórdios para vir ao mundo prescindimos de alguém e essa é nossa maior herança: Somos uma, ume, um, porque somos muitas, muites e muitos. “Só eu ando bem, mas com vocês eu ando muito melhor” #Nósaspoetas #Setembroamarelo #Váaumapsicanalista #Mulheresreunidas #Transfobianão #LGBTfobianão #Racismonão #Machismonão #Caipatriarcado #Ligueparaumaamiga #Escutequemvocêama #Políticaspúblicas #Escutaéamor #Falartransforma #Nãoestamosós

(Ilustração: Sarah John)

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