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Outubro Rosa: reflexões sobre nossa saúde e atravessamentos

Chegamos no Outubro Rosa, que inicialmente se constituiu como um mês para divulgação de estratégias para prevenção e detecção precoce do Câncer de Mama, mas que se consolida hoje em dia em ações de promoção a Saúde da Mulher. Como coletivo, decidimos por nos colocar sobre nossas percepções sobre as questões que envolvem nossa saúde em uma estrutura machista, patriarcal, racista e capitalista em diferentes graus, portanto hoje vamos abordar alguns pontos importantes para que todas que leiam reflitam e tomem ações em prol de sua saúde e pensem as formas de desenvolvimento não apenas de autocuidado, mas de estratégias de enfrentamento das questões que nos atravessam enquanto mulheres em sociedade. Mas primeiro vamos dar algumas dicas de saúde: Se tiver mais de 25 anos e tiver vida sexual ativa vá à Clínica da família, ou a ginecologista que confia e agende seu preventivo, se tiver mais de 50 anos ou se for mais jovem e tiver qualquer alteração em sua mama como caroços, mudança das características da pele, inchaços, dor, além de histórico familiar de Câncer de Mama, ovários, útero, faça seu agendamento com um profissional para realizar os exames adequados para cada situação e faixa etária. Reivindique pelo seu direito a saúde não apenas em outubro, mas todos os dias de sua vida. Sabemos das dificuldades que muitas mulheres vivem com duplas e triplas jornadas de trabalho não remuneradas, reconhecemos as desigualdades de acesso a informações, serviços de saúde, percebemos as dificuldades de tantas que desempenham papel enquanto chefes de família, que inúmeras vezes são responsáveis não apenas de seu autocuidado, mas do cuidado de toda sua família. Entendemos os desafios impostos quando tantas vivem neste momento sob o mesmo teto que seu agressor e quando não, temos plena noção de que a maior parte de nós traz em sua história cicatrizes de traumas passados pela vivência de abusos sexuais, psicológicos, além de inúmeras distorções em nossa noção de amor próprio e autorrespeito, principalmente por todas as normas e imposições que vem sendo difundidas desde antes da idade média contra diferentes grupos de mulheres nos diferentes momentos da história.

São inúmeros os desafios enfrentados pelas mulheres trabalhadoras, mães solo, mulheres em situação de rua, mulheres que ainda hoje são obrigadas a se casar com seus algozes, mulheres donas de casa, artistas, lésbicas, bi, trans, ou cis, mulheres orientais que carregam o trauma da objetificação, mulheres negras que para além de suas dores carregam ainda mais preconceito e discriminação independente de classe social, mulheres indígenas que vem sendo dizimadas a gerações e hoje ainda enfrentam diversas barreiras de silenciamento, mulheres latino-americanas que são ainda destituídas de seu reconhecimento de protagonismo mesmo na academia, mulheres que são julgadas em sua família pelas escolhas que deveriam passar antes de tudo pelo desejo das próprias, enfim, somos muitas e somos todas afetadas pelas feridas dessa construção social absurda e silenciadora.

O chamado é de atenção. Resgate em si a criança que ainda sonha, mas que foi tolhida e responsabilizada desde que você se entende por gente e dê uma chance para a expressão do seu desejo e dos seus limites. Se coloque contra as situações que te machucam e conte com outras mulheres e grupos de pessoas que você sente que te acolhem.

Sabemos que é cansativo, mas estamos aqui e suplicamos: Se perdoe por cada ferida que foi aberta em seu coração, não julgue a história de vida das suas irmãs, escreva, pinte, dance, borde, faça análise se tiver condições, mas se não tiver como, não se culpe também. Mas nunca mais se cale sobre nenhum assunto que te atravessar. Não deixe de acreditar na sua trajetória. Você pode escolher não divulgar, você pode escolher fazer o que quiser, mas deixe os pesos do auto julgamento e entenda: Você não está sozinha!!!

Sigamos Juntas e Atentas. Com afeto,

Maria Mitsuko Coletivo Nós, as Poetas!

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